Adentrar, fazer parte de um texto

 


Gosto de saber a opinião particular dos autores que leio em jornalismo.

Muitas vezes, fico até um pouco irritado por eles fazerem apenas jornalismo, com a distância que o jornalismo requer em cada um dos seus textos.

Lendo o livro do Ted Gioia (devagar, alternando com outros livros), fico pensando que gostaria que ele entrasse, inclusive, enquanto persona, mais em seu próprio texto. O que o Ted Gioia sente ao ouvir Bill Evans em dias correntes; quais standards de jazz marcaram sua juventude? O que ouvia ao lembrar ou para lembrar de sua primeira namorada? Em arte, a maneira como um disco ou um livro adentra nossa vida comezinha é um negócio que pode vir a ser definitivo.

O ensaio biográfico, em linguagem de crônica, muitas vezes é um gênero maior do que qualquer outro. Maior até do que o romance, dependendo de quem o pratica. O grande gênero varia bastante a depender de quem estou lendo.

No ensaio personalístico, aliás, se pode exercitar a maior força da natureza: a da personalidade. Ensaios assim são elogios a esse tipo de força. Os fatos, bem, podem esperar. Não gosto quando os fatos sozinhos roubam o guião de um texto. Fale, autor. Diga o que pensa a respeito de tudo. 

A imparcialidade, em certas cabeças, é como uma violência. Um ultraje. 

A ribalta é o lugar onde moram as personalidades que ficam mesmo após uma leitura.

Nos coroe, sazonalmente, com esse tipo raro de beleza.

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