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Lições de toga

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Como todos, estive vendo o julgamento dos vagabundos do STF.  Penso que são como lições a todos que ainda são razoavelmente jovens e cheios de sonhos. Vamos assistindo àquele festival de mau uso da língua, aquela panfletagem a respeito de coisa nenhuma, aquelas mentes claramente pequenas, submissas a algo que sequer nomeiam, mas que kafkianamente compreendemos, e pensamos: é possível alcançar o que desejamos. A boa intenção e o caráter devem valer algo. Não é possível. Dêe-nos algum tempo. Acreditar em nós mesmos é um pouco como uma última rebeldia, numa época em que os homens que deveriam zelar pelo país o atiram na lama sem que ninguém grite exaltado. Mas há, em meio ao lixo, questões de sociologia, ao menos. Agora sabemos, por exemplo, até onde vai o horizonte intelectual do ministro Dino: Fábio Porchat. Bom, mais ou menos explicado. Com um pouco mais de afinco ele chega aos sonetos do Gregório Duvivier. De fato, pegando as referências, entende-se um homem. No fim das contas é t...

Adentrar, fazer parte de um texto

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  Gosto de saber a opinião particular dos autores que leio em jornalismo. Muitas vezes, fico até um pouco irritado por eles fazerem apenas jornalismo, com a distância que o jornalismo requer em cada um dos seus textos. Lendo o livro do Ted Gioia (devagar, alternando com outros livros), fico pensando que gostaria que ele entrasse, inclusive, enquanto persona, mais em seu próprio texto. O que o Ted Gioia sente ao ouvir Bill Evans em dias correntes; quais standards de jazz marcaram sua juventude? O que ouvia ao lembrar ou para lembrar de sua primeira namorada? Em arte, a maneira como um disco ou um livro adentra nossa vida comezinha é um negócio que pode vir a ser definitivo. O ensaio biográfico, em linguagem de crônica, muitas vezes é um gênero maior do que qualquer outro. Maior até do que o romance, dependendo de quem o pratica. O grande gênero varia bastante a depender de quem estou lendo. No ensaio personalístico, aliás, se pode exercitar a maior força da natureza: a da personali...

A arte de retornar não tem nenhum mistério

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Gosto da temática da ausência, ou da fuga. Sou partidário da crença de que a vida real é sim mais importante e divertida do que a arte, a escrita, a filosofia, ou qualquer outro produto ou criação da mente. Admiramos especialmente o que não conseguimos fazer. Gosto da criação que surge como um descansar da existência. Não uma substituição. Quando se sabe viver e, sobretudo, escolher, a vida real é a que importa. Embora o nome desse blog se refira a um outro que eu mesmo tive circa 2015, não sou mais o que eu era dez ou doze anos atrás. Mudamos, felizmente. Eu mesmo muito. Mas gosto desse leve aceno ao passado. Crio esse espaço não porque acredito que precise de um lugar onde possa escrever mais displicentemente. Nada feito com displicência presta. Especialmente a escrita. Crio porque acho que em cada rede funciona um tipo de texto. E sobretudo porque quero exercitar a escrita sem tanto burburinho de redes sociais. De minha parte, nunca gostei muito de praia, exceto a...